Valar Morghulis. When the sun goes down and the long night rise, you deserve what?

[RP Fechada] Blood red skies

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Mensagem por Tyressa Lannister em Sex Dez 02, 2016 12:11 am

No innocence, we play our role

Blood red skies
Descrição da RP:  A RP irá começar com o post de @Tyressa Lannister. Esta é uma RP FECHADA, conta apenas com a participação de @Tyressa Lannister e @Tytos Lannister. Estamos no Rochedo Casterly, Inicialmente nos arredores e posteriormente no interior do castelo. Tyressa Lannister mais uma mostraria que sua vontade sempre prevaleceria, principalmente quando se tratava do futuro de suas amadas crianças.


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Mensagem por Tyressa Lannister em Sab Dez 03, 2016 6:37 pm

Please, tell me I’m your one   and only.
Or lie, and say at least tonight I’ve got a brand new cure for lonely And if you give me what I want Then I’ll give you what you like.


Meus pés hesitavam em dar o próximo passo, o que tornava a caminhada mais demorada, aumentando em mim aquela sensação incomoda em meu estômago. Eu não estava hesitando diante do que faria, era meu dever de mãe era proteger meus filhos e não importava as circunstâncias, não importava o que eu precisava fazer. Mas a situação havia saído do controle, mais do que eu desejava e culpava-me por tudo ter chegado aquele ponto. Logo eu, uma mãe dedicada, amorosa, cuidadosa... Como aquela situação havia passado despercebida aos meus olhos? Eu não conseguia parar de pensar nisso e a cada instante que uma resposta parecia surgir, mais nojo e asco da situação eu sentia. Meus olhos se semicerraram enquanto suspirei frustrada, o que eu faria a seguir, machucaria muito mais meu filho, do que o verdadeiro culpado da situação, mas se fazia necessário. Tytos precisava entender que o mundo em que vivíamos era cruel e se não fosse eu, sua mãe a ensina-lo, quem o faria? Depois que tudo aquilo passasse, ele ainda teria em mim, o conforto de meu abraço maternal para ampara-lo.  

Dois dos meus homens de confiança, vinham atrás de mim, como sombras guardavam minhas costas, impedindo que qualquer mal chegasse até mim. Não tinha por costume, caminhar por aquela velha estrada abandonada nas proximidades do castelo, o deixava os homens ainda mais preocupados, mas aquilo pouco me importava naquele instante, eu tinha um dever muito maior para com a minha família e eu não os faltaria neste momento tão crucial. Enquanto meus passos seguiam, meus olhos observavam o caminho ao meu redor e estranhamente, aquele lugar tinha um tom fúnebre, mostrava uma decadência que eu desconhecia. A velha estrada de pedras cinzas não era bela como as estradas para o castelo e me indagava qual era a serventia da mesma? O cair da noite me impedia de contemplar com mais cuidado o lugar, apenas as luzes das tochas me guiavam pela escuridão. A àquela altura, meu ilustre convidado já estaria à minha espera e com certeza recebido os devidos cuidados. Eu não podia dizer que me sentia bem agindo daquela forma, mas era necessário, mais do que isso, era o futuro de Tytos que estava em jogo e eu não poderia pensar ou ter uma atitude benevolente. Enquanto eu fosse a Rainha do Rochedo, nada e nem ninguém seria uma ameaça a minha família, não me importava o tipo de ameaça.

— Por aqui majestade. — Gentilmente um dos guardas abriu caminho para mim por entre as pequenas árvores retorcidas. Não o respondi, apenas permiti que ele tomasse a dianteira abrindo caminho para que eu passasse. Minhas mãos seguraram a sedaria vermelha de meu belo vestido, um presente que Logan havia me dado e era um dos meus favoritos, não queria que a peça estragasse por algum descuido. Ergui meu olhar ao céu negro só então notei, que até mesmo a lua me negava seu brilho naquela noite. De fato, aos olhos de muitos, o que eu faria era repugnante, porém, pouco me importava com protocolos e convenções, pouco me importava com o que qualquer um pensasse, eu apenas me importava que Tytos ficasse bem. Meus pés já começavam a reclamar com a longa caminhada, mas Cairus havia escolhido um lugar distante para que ninguém soubesse o que eu havia tramado. Cairus Greenfield era um homem sério e um dos mais condecorados cavaleiros que serviam ao meu amado Logan, um homem de corpo grande e largo, barba rala e olhar tão frio como o inverno do Norte, era muito leal ao rei, porém, muito mais a mim, o que me era muito conveniente.

Logo meus olhos captaram o trepidar das chamas das tochas dos soldados que nos esperavam, ajeitei cuidadosamente o capuz que cobria meu rosto, no momento certo, aquele maldito bastardo saberia por que estava sendo punido. Os metros finais foram transpostos e finalmente adentrei a pequena clareira, um par de soldados cuidavam do prisioneiro, um de cada lado. Seus joelhos se dobraram em uma reverência a mim, sua rainha e soberana, o sorriso singelo surgiu em meus lábios, mas foi um ato breve, pois logo vislumbrei o motivo de toda a minha fúria nos últimos dias. Por ímpeto me aproximei, minhas mãos deslizaram pelo capuz revelando meu rosto e meu olhar que ardia como fogo, tamanha a minha raiva. O cavalariço estava de joelhos, as mãos amarradas para trás, as vestes tão maltrapilhas quanto ele. As escoriações pelo rosto e corpo mostravam que os guardas haviam feito exatamente o que eu havia mandado: — Mas vejam só. Não vejo aqueles sorrisos depravados no seu rosto rapaz. Será que os homens que eu enviei não são de seu gosto? — Eu não pude conter as palavras em minha boca.

Obviamente que eu faria aquele garoto sofrer, minhas ordens haviam sido claras e pelo semblante dos soldados, eles haviam adorado brincar com o corpo franzino do garoto, seu estado delatava que os homens não haviam sido carinhos e condescendentes como meu filho era com ele. Caminhei lentamente em sua direção, meus passos sobre as folhas secas emitiam um som fúnebre, eu o encarava em seus olhos e podia sentir o temor, o pânico que se apoderava dele e eu jamais poderia negar que gostava daquela sensação: — Como ousa levar meu menino para a perdição? Como ousa corrompe-lo de forma tal vil, tão... Nojenta! — O asco em minha voz se misturava com a raiva crescente em meu âmago: — Eu deveria fazer você sofrer por dias seu bastardo. Deveria mandar que arrancasse a sua pele lentamente e você pode ter certeza que eu adoraria ouvir seus gritos de dor durante toda a noite. — Minhas mãos se fecharam em punho tamanho era o ódio que corria em minhas veias. Mas ele era um covarde e eu sabia disso, seus olhos se abaixavam a cada palavra dita por mim, ele sabia seu destino, sabia que ele pagaria caro pelo que havia feito. Segurei seu queixo com a minha mão direita e ergui o olhar dele ao meu: — Ninguém sai impune depois de mexer com as minhas crias. Eu sou a Leoa do Rochedo e você sentirá as minhas garras rasgando a sua pele. — Praguejei contra o garoto que abaixou o rosto mais uma vez assim que o soltei. Em um súbito rompante de ódio, minha mão chocou-se contra a sua face, em um tapa alto e estalado: — Onde está Tytos, Cairus? Não temos a noite toda! — Vociferei para o cavaleiro, enquanto me esbaldava com o desespero de minha presa.  


Post: 001 with: @Tytos Lannister in:Casterly Rock
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Mensagem por Tytos Lannister em Dom Dez 04, 2016 8:43 pm

Blood Red Skies


         Tytos sentia os nervos de seu braço direito flexionarem, gritando em agonia diante do esforço constante. Contudo, ele não atreveu-se a aliviar a tensão, mantendo a flecha bem parada em seu arco. A visibilidade já estava baixa com os efeitos da tarde, e ele sabia que sua mira seria comprometida pelas fortes ventanias que acometiam o topo do Rochedo, naquela noite em especial. Seriam dias frios nas terras ocidentais, o seu tipo favorito. Suspirando, liberou o ar lentamente, enquanto erguia o braço do arco menos de trinta graus, mirando. O boneco de estopa já envergava três de seus projéteis no peito e um na cabeça, nada mal para um dia comum. Ainda assim, aquilo não o agradava. Fitando-o do alto de uma das ameias do castelo, o Mestre dos Arqueiros o avaliava, com atenção. Tytos sempre preferira o arco, assunto que provocara certo desentendimento com Rei Logan, que prezava mais a espada. Talvez porque esta fosse a relíquia da família, mas Tytos não tinha certeza. Num conflito, poderia matar tão bem com um arco, quanto com qualquer outra arma. Desde que de uma distância adequada. Para combates acirrados e físicos, tinha que admitir estar em forte desvantagem, uma vez que não só não apreciava lâminas, como também não possuía uma boa constituição para usá-las.

- Você está indo bem. Só precisar confiar no arco, rapaz. Tencione-o, sinta a fibra que se dobra em sua mão. Sinta a corda que detém a capacidade de tirar uma vida. Suas flechas não são brinquedo, e é melhor nunca usá-las, se não for para acertar. - O jovem apenas assentiu, sem soltar a flecha. Agora seu braço ardia francamente, como se agulhas em brasa começassem a penetrar as camadas mais profundas de sua pele. O sangue implorava para circular, bloqueado pela postura firme do aprendiz de arqueiro. - Isso. Mantenha. Mantenha. Respire. Mire. Agora!

             Tytos soltou. A flecha disparou como o estalar de um canhão, zunindo no soltar de seus dedos e traçando um leve arco antes de cair bem no meio da cabeça do boneco. O Lannister riu com satisfação, olhando para seu instrutor. Merwyn era velho, mas possuía olhos de águia. Se aquele homem acenara positivamente e emitira um arremedo de sorriso, então Tytos podia significar que seu desempenho havia sido satisfatório. Puxou mais uma flecha de sua aljava, desta vez com um objetivo mais ambicioso em mente. Seu braço ainda doía, mas seus dedos não hesitaram. Estavam endurecidos pelos anos de prática no castelo, acostumados com a fina haste de madeira e as penas carmesins, que vez ou outra cortavam levemente a pele superficial de sua mão.

- Desta vez eu quero um tiro rápido, meu príncipe. Mire mais alto, não no boneco, mas no alto do tronco que o mantém em pé. Imagine um atacante à cavalo, vindo em sua direção. Uma fração de momento para reagir. Quando estiver pronto, quero que devolva sua flecha à aljava. Apenas para removê-la e atirar de uma só vez. Estarei esperando. - Avisou, cruzando os braços, indiferente à noite que já caía. Seria muito mais difícil, agora. - Vamos, rapaz.

- Um momento. Um tiro. Ok. - "R'hllor, me ajude", rezou, liberando o ar preso em sua garganta. - Agora! - Com um movimento fluvial, mas firme, puxou a flecha e encaixou-a rapidamente no arco, retesando-o. Agachou-se para mirar, erguendo o arco de lado o mais rapidamente possível. Disparou sua seta, mas seu pé esquerdo escorregou no último minuto, e ela passou há alguns centímetros de distância do alvo, indo acertar um fardo de feno do outro lado do pátio de treinamento. - Maldição! - Praguejou, levantando-se de sua posição anterior e batendo as roupas, à contragosto.

- Você está melhorando nas reações rápidas. Lembre-se que levamos um ano até que acertasse o alvo, mas já passamos desta fase. Reagir à um ataque será apenas mais um passo no seu aprendizado, filho. Agora vá descansar, e encher a barriga com alguma comida e vinho. - O velho caminhou na direção dos alvos, retirando as flechas e verificando quais poderiam ser reutilizadas e quais havima se partido, ou rachado. Tytos murmurou um adeus respeitoso, subindo os andares até seus aposentos em seguida.

             Não desceu para jantar naquela noite. Seus braços ainda doíam, e preferiu fazer uma refeição modesta sentado à sua escrivaninha, enquanto folheava um velho volume de Músicas e Poesias Essorianas, traduzidos para a Língua Comum por um Meistre morto há anos. A leitura o relaxava, e ajudava a esquecer que Edwyn, o bastardo cavalariço, o ignorara já faziam alguns dias, desde que ele fora particularmente violento no sexo. Aquilo atormentava Tytos mais do que qualquer outra preocupação em sua mente, que não eram muitas. Já não se importava que notassem seu semblante intranquilo. Mal dirigia a palavra aos pais ou às irmãs. Apenas o maldito bastardo com cabelos de cobre enchia seus pensamentos, e ele imaginava com intensa tristeza, que talvez o rapaz nunca mais quisesse pertencer a ele. E não poderia dizer que não o compreendia. Tytos era possessivo, mas não havia um futuro para o que ambos estavam fazendo. O que poderia oferecer, afinal?

                   A menos que... Sabia que tinha obrigações com sua Casa, embora desprezasse a prisão que o nome de sua família se tornara nos últimos anos, desde que virou enfim um homem feito. Talvez... Talvez pudesse manter Edwyn, como seu amante. Certamente a mulher escolhida para ser a próxima rainha do Rochedo não merecia tal tratamento, mas deixaria claro que seu casamento seria apenas uma conveniência. Depois que tivessem filhos, ela poderia ter o homem que quisesse, se tomasse o chá de lua. Ele, por sua vez, de alguma forma faria Edwyn cavaleiro, e sua espada juramentada, para mantê-lo próximo. Isso faria com que sua vida fosse menos miserável, se o rapaz aceitasse encontrá-lo novamente. Não havia recebido sua carta naquele dia, e o envelope retornara com o selo Lannister intacto. O Mestre dos Cavalos contara-lhe que Edwyn também não aparecera para o trabalho nos estábulos, o que deixara sua posição no castelo por um fio, se não aparecesse para trabalhar no dia seguinte. Será que teria fugido por sua causa? Tytos jurava que o rapaz gostara, que o que sentia era recíproco.

- Meu príncipe, sua mãe a rainha, deseja vê-lo. Ela pede que a encontre na estrada abandonada próxima ao Rochedo. Deixou um manto vermelho para guiá-lo até lá, se lhe agradar. - A figura barbuda e encarquilhada à porta era pacífica e cuidadosa. Meistre Aeron era nativo das Ilhas de Ferro, e conselheiro fiel de Logan Lannister. De modo que, se ele viera tão solenemente chamá-lo, sabia do que se tratava e contaria a seu pai rapidamente. - Tytos... Sua mãe insiste. Eu não a ignoraria esta noite. - Ele parecia saber de algo que o rapaz não sabia, e retirou-se lentamente, deixando para trás um dos guardas particulares de sua mãe. Tyressa Lannister era peculiar, e seu filho nutria por ela doses iguais de temor e afeto.

- Farei como ela deseja, Meistre Aeron, não se preocupe. - Rebateu, erguendo-se apenas para vestir suas botas de treinamento. Passou a mão na aljava de couro com detalhes em ouro, pendurada na cadeira de seu gabinete, observando o leão orgulhoso, mostrando as garras de forma agressiva. Pegou também seu arco, quase insensível ao peso habitual. Refletiu em como ele mesmo combinava tão pouco com o símbolo de sua família, e imaginou se seu antepassado, Tyrion, sentira-se deslocado daquela forma por ser um anão. Tytos também era um tipo próprio de aberração, para a maioria das pessoas. Perguntou-se como Tyrion suportara o peso daquele fardo. - Mostre o caminho até sua Senhora, guarda.

              Seguiu o manto vermelho pelas estradas abandonadas, perguntando-se como o lugar não tornara-se ainda um antro de bandidos e saqueadores. Então notou a sombra que o castelo de sua família projetava sobre a relva, e achou sozinho sua resposta. Seu pai mantinha as Terras Ocidentais limpas de foras-da-lei de Lannisporto até a fronteira Tyrell ao sul. Haviam perdido alguns hectares de território para a família da rosa em reparação na Segunda Conquista, mas agora ao que parecia as coisas já eram mais ou menos exatamente como antes. Incomodou-lhe a escuridão que tomava seus passos, que afastava-se diante da tocha nas mãos do guarda, e só tranquilizou-se ao notar a pequena aglomeração mais à frente. Ainda chegou a tempo de ouvir as últimas palavras de sua mãe, e o sabor amargo que subiu de seu estômago até a garganta, por pouco não o fez vomitar. Edwyn estava amarrado como um animal, claramente ferido e abusado em formas que Tytos preferia não distinguir. Sua mãe agarrara o queixo do rapaz, que baixara os olhos para não encará-la. Aquilo estava errado. Ele não merecia. A sensação de injustiça levou a mão de Tytos à aljava, e ele rapidamente afastou-se do guarda que o levara até ali, preparando uma flecha.

- Pelos Sete Infernos, mãe! O quê está havendo aqui? - Exclamou, sentindo o sangue acumular-se sob a pele de seu pescoço. - Ficou louca?

- Tytos... Eu queria ter lido a carta... - Edwyn murmurou, provavelmente com o interior de sua boca ferido demais para falar claramente. - Eu não estava com raiva... Também sinto o que você sente. - Ele olhou para Tyressa, sorrindo ao cuspir o sangue que se acumulava em seus lábios. O escarro vermelho atingiu a barra do vestido de sua mãe, e um dos guardas desferiu um forte soco, com a mão coberta pela manopla da armadura. - Vocês Lannisters... Pensam que o ouro pode comprar tudo. Saiba, leoa do Rochedo, que nós pobres somos tão capazes e relevantes quanto vocês, nobres. É com o nosso sangue e o nosso suor que vocês comem, cagam e fodem, todos os dias. Suas roupas bonitas e joias caras não escondem a puta sem coração que você é, nem o mal que você faz aos seus filhos, chamando de amor.

- Durante todos estes anos, sempre imaginei que as histórias sobre nossa família eram exageradas, ou inventadas pelos nossos inimigos. Imaginava, ainda que os livros de história dissessem o contrário, que nós éramos injustiçados. Mas não. - Tytos conteve as lágrimas que ardiam em sua visão, mantendo a flecha firme em seu braço. - Você acaba de me provar o que significa ser um de nós, mamãe. Amor é fraqueza, e ser diferente é uma abominação, correto?

- Tytos, minha irmã e os filhos vivem em Lannisporto. Não deixe os espiões de sua mãe encontrá-los. Proteja-os, quando eu não estiver mais aqui. - Tytos fechou os olhos brevemente, as lágrimas descendo ao ouvir o pedido de seu cavalariço. - Por favor.

- Não vou pedir que o deixe ir, mãe. Sei que Edwyn nunca sairá vivo dessa clareira. Também não vou erguer a mão contra a Senhora. Eu preferiria morrer. Mas eu ainda posso fazer alguma coisa. - Encarou sua mãe com a frieza da Muralha, e seus movimentos foram exatamente como treinados, momentos antes. A mão deslizou mais dois centímetros para trás, seus músculos protestando. A mão do arco ergueu-se, e a da flecha, liberou a seta certeira que num golpe limpo, enterrou-se no coração do bastardo. Edwyn arregalou os olhos em choque, mas seu rosto suavizou antes de morrer, o reconhecimento do que Tytos fizera enchendo seu rosto de amor e aceitação. - Ele não vai sentir suas garras, porque embora eu seja uma vergonha para nossa Casa, também tenho as minhas. Sou um Lannister de nascença, diferente de você que foi feita uma por casamento. E acredite, mamãe: Um Lannister sempre paga suas dívidas. E a senhora tem uma comigo, a partir de hoje.

      Jogou seu arco aos pés de Tyressa, bem como a aljava. Não queria ver a arma novamente, depois que tirara a vida de Edwyn com ela. Olhando para a mulher bela e cruel à sua frente, lembrou-se rapidamente de todas as vezes em que chorara em seu colo, em que pedira sua ajuda com as lições de Aeron, ou implorara para que ela o deixasse comer mais um doce depois do jantar. Como aquela mãe carinhosa e esta tirana de feições de mármore, podiam ser a mesma mulher? Naquele momento, sentiu desgosto ao ver os defeitos daquela que lhe dera a vida. Desejou ter a coragem para procurar o Rei Targaryen, mas não possuía talento para entrar na Guarda Real. A Muralha, no entanto, era uma opção. E não fosse o último pedido de Edwyn por sua família, estaria muito tentado à partir no dia seguinte. Aguardou naquela clareira, diante dos olhares chocados dos homens de sua mãe, aguardando o que ela tinha a dizer ou fazer. Ele não se importava nem com um, nem com outro. Apenas observava o sangue que escorria do peito de Edwyn ensopar sua roupa. A lua que negara seu brilho à cena, parecia curiosa em ver o ocorrido, iluminando a clareira subitamente, acrescentando ao silêncio anterior, sua aquiescência sobrenatural. Era como se ela mesma, fosse solidária naquele instante de dor. Como se mesmo a lua, quisesse testemunhar o momento em que Tytos despertaria para a realidade de seu mundo. Era de fato, uma noite a ser lembrada.

Observação:
Treino de Habilidade: Arco e Flecha











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Mensagem por Tyressa Lannister em Seg Dez 05, 2016 11:52 am

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Não tardou para que eu ouvisse mais um grupo se aproximar, as folhas secas farfalhavam, ainda mais com os passos apressados que vinham em nossa direção, não precisava me virar e olhar quem se aproximava, eu sabia muito bem de quem se tratava e os gritos apenas confirmaram meus pensamentos: — Não Tytos, eu ainda não enlouqueci. Mesmo que você e sua irmã tentem o tempo todo me transformar em uma completa insana. — Minha voz ecoou firme, mas não alterada ou algo assim, eu realmente não o culpava por aquela situação. Tytos com certeza havia sido ludibriado pelo bastardo que apenas desejava se aproveitar de meu pobre menino. Eu me virei e encarei o semblante alterado de meu filho, mas eu já esperava por isso, eu tinha a plena certeza de que ele se voltaria contra mim, mas se era meu sacrifício como mãe, eu o faria. Contudo, a chegada de meu filho deixou aquela criatura inquieta e até corajosa, mas eu não me importava, tudo que eu tinha em mente era a felicidade de Tytos. As palavras que saíam da boca do cavalariço me enojavam cada vez mais: — Mentiroso. — Gritei tomada pela ira, fechando a minha mão e me virando para aquele maldito garoto. Meu maior desejo era esfola-lo, mas eu não faria isso diante de meu filho.

Mas a petulância daquele garoto era muito maior do que eu imaginava, ousava não somente me ofender com palavras, mas também com aquela atitude nojenta de cuspir em minha saia, todavia, meus soldados sabiam como ele deveria ser tratado depois de tamanho insulto. Ainda assim, ele ousava esbravejar como se tivesse voz, nitidamente querendo aparecer diante de meu filho ou esperava que ele o salvasse de seu destino. Escutei cada palavra, cada desaforo que o petulante dirigia a mim: — Tem toda razão bastardo. Mas mesmo de todas essas palavras bonitas, quem decide se vocês vivem ou morrem, somos nós. E a minha sentença você já sabe, bastardo. — Eu teria continuado, mas meu filho então resolveu despejar toda sua raiva e ódio contra mim, blasfemando contra a própria família. Eu poderia ter respondido, explicado, mas ele me daria ouvidos? Não! Claro que não! Ele estava cego, possuído pela influência daquele menino. Me cortava o coração ver os olhos dele marejados, com certeza seu sofrimento doía mais em mim, mas eu precisava fazer aquilo, para seu próprio bem.

A influência que ele exercia sobre meu menino era muito maior do que eu imaginava, como eu poderia ter sido omissa a esse ponto? Pela Mãe! Como eu não havia notado que a situação havia chegado a aquele ponto? Senti-me uma tola, eu não havia percebido o mal que se aproximava de meu filho. Entre pedidos e suplicas do garoto, eu me continha para ordenar que o matassem logo, eu precisava acabar com aquilo logo. Tytos então surpreendeu-me, com arco e flecha em mãos, simplesmente matou o garoto, muito mais para me afrontar do que como uma punição. Estava atônita diante de sua atitude, da forma fria como a executou. Por um momento senti-me quebrada por dentro, mas naquela situação, em que meu filho não hesitaria em me machucar e ele o fez. Suas palavras me feriam mais do que qualquer flecha que ele tivesse atirado contra meu peito, mais do que se minha pele tivesse sido arrancada. Não, Tytos não tinha maturidade ainda par discernir o peso que suas palavras tinham contra mim. Se quer me dei conta contra a primeira lágrima caiu de meu rosto, em silêncio ouvi cada palavra que ele usou para me ferir. Em um primeiro momento pensei em dar-lhe um tapa, mas adiantaria? Claro que não, aquele bastardo maldito havia roubado meu filho.

Levei minha mão ao rosto limpando minhas lágrimas e minha aparente fragilidade naquele momento, respirei fundo e então ergui meu olhar ao dele, não com frieza, mas de uma forma dura, incisiva: — E a sua dívida comigo? Vai paga-la? — As palavras vinham e eu simplesmente comecei   a falar, eu não podia mais passar a mão em sua cabeça: — Todos os seus caprichos que eu e seu pai sempre realizamos? Diga-me Tytos. Pensa que eu sou tola? Pensa que eu não sei tudo o que vocês fazem? Claro que eu sei, apenas faço vista grossa para que vocês se sintam felizes. Acha que eu não sabia que esse imundo bastardo visitava seu quarto? Sim, eu sabia Tytos! E simplesmente resolvi fazer de conta que não via. Se você estive simplesmente fodendo esse maldito eu pouco me importaria, mas não! Você se apaixonou por ele. — Precisei pausar minhas palavras e respirar, eu estava realmente exaltada, magoada com tudo que ele havia me dito: — Sim, o amor é uma fraqueza e eu sou a mais fraca de todos vocês. Sabe por qual motivo? Por amar vocês incondicionalmente e acima de qualquer outra coisa. — Minhas mãos estavam trêmulas e aos poucos tinha a nítida sensação de que iria cair.

Em um piscar de olhos eu vi como se tudo girasse e senti a mão de Sor Greenfield me amparar, o homem olhou-me com preocupação, mas logo me recompus de meu súbito mal-estar. Tytos encarava-me, mas ainda haviam coisas que eu precisava dizer a ele: — Quando foi que esse bastardo se tornou mais importante para você, do que eu e seu pai? Diga-me! Você já parou e pensou sobre as consequências de seus atos, não só para mim ou para seu pai, mas para você? — Pausei minha fala esperando uma resposta, mas eu já deveria imaginar que ela não viria: — Se algum inimigo do seu pai descobre, se algum inimigo da sua família descobre, você... Você poderia ir até a julgamento! Pense um pouco Tytos! Você acha, que eu gostaria de presenciar isso? Seu nome jogando no chão? Sua reputação? Pare de pensar somente em você. Pense como poderia prejudicar suas irmãs! Ou elas também não lhe importam? Sua família não é mais importante? Chame-me de tirana ou de qualquer outra coisa que desejar, mas saiba que eu morreria por você, eu sangraria por você e eu sou fraca por sua causa. — Não precisava falar mais nada depois de tudo que havia dito. Se ainda assim, ele insistisse em ter razão, era por que realmente já havia perdido seu filho.


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Mensagem por Tytos Lannister em Seg Dez 05, 2016 2:57 pm

Blood Red Skies

- É apenas porque minha família importa, que fiz o que fiz. - Tytos apontou para o corpo sem vida de Edwyn, recusando-se a olhar na direção de seu amado novamente. - Eu o matei, não matei? Entendo as razões pelo que fez o que fez, mas não as aceito. Como se sentiria se alguém matasse meu pai? Não pense que não considerei os riscos e a vergonha as quais poderia expor nossa família, mãe. Eu refleti sobre tudo isto por muitas vezes, desde que Yalena Sarsfield atirou-se numa cisterna do Rochedo, porque eu a fiz tomar o chá de lua. Eu matei meu filho bastardo e a mãe dele, por nossa família. E agora admito que a nossa capacidade para o mal tornou-se incapaz de me surpreender. Até mesmo a minha. Meu pai não merece o que me tornei, mas eu não posso simplesmente ser diferente. Se sabe o que é melhor para os Lannister, me enviará para a Muralha, onde minhas ações só poderão causar a minha própria desonra. - Abrindo os braços quando sua mãe apoiou-se em um de seus guardas, Tytos ouviu o som da própria respiração tornar-se irregular. - Eu a amo, mãe. E também às minhas irmãs. Merida e Selysse são preciosas para mim, e eu faria de tudo pra protegê-las. Até mesmo partir.

        Tytos lembrou-se vagamente das lições de Aeron, quando insistiu em estudar Essos e suas regiões. Sabia que talvez sua mãe o mantivesse em cativeiro antes de permitir que vestisse o negro. Ela era jovem, e poderia gerar outros filhos homens para seu pai, mas eles ainda levariam muitos anos até que estivessem prontos a defender o nome do leão, e com a incerteza que pairava sobre cada Grande Casa coroada, Tyressa não poderia correr o risco de que o marido de uma de suas filhas se tornasse rei, subjugando o nome carmesim e dourado. Ainda assim, uma das frases dela chamara a atenção de seu filho. Um julgamento da Fé dos Sete não era realizado desde que a Rainha Louca Cersei da Casa Lannister revogara todos os direitos da Fé Militante, desarmando novamente o exército criado por Baelor O Abençoado, durante a Primeira Dinastia Targaryen. Sua antepassada explodira o Septo de Baelor durante um julgamento daquela mesma natureza, dirigido à um Tyrell mais de cem anos atrás. Não sabia estimar ao certo quantos anos. Uma Lannister deixara claro que a religião não se sobreporia à nobreza, e depois do domínio de Daenerys, cada reino tornou-se livre para seguir a fé que melhor lhe aprouvesse. Por razões claras, os Lannisters não eram bem vistos pelos devotos dos Sete ainda naqueles tempos, e o próprio Rochedo não possuía uma fé oficial. Fora por isto que seu Meistre, ainda que de maneira relutante, o ensinara tanto sobre a Fé Vermelha e o Grande Templo Vermelho de Volantis, capital mundial do Deus da Chama e da Sombra. Meistres e a Cidadela odiavam as práticas mágicas desta fé, bem como abominavam umbromantes, feiticeiras da floresta, wargs e videntes verdes. Apenas porque, embora muito avançado, o conhecimento do homem pouco tinha a dizer sobre tais fenômenos. A magia era a força que restaurara a vida aos dragões, e a força que derrubara a Muralha na grande Batalha do Inverno. Ela ainda existia, e poderia a qualquer momento impor-se ao mundo, como as tempestades sem aviso que sacudiam o Rochedo Casterly, e apavoravam os corações dos marinheiros em Lannisporto.

- Edwyn nunca foi mais importante que vocês, mãe. Mas em meu coração, ele tinha um lugar que nenhum familiar pode ocupar. Ou talvez preferisse que eu me deitasse com Merida, ao invés de um homem? Não seria estranho, considerando nosso brasão de família. - A lembrança do incesto que durou quase três gerações encheu a língua de Tytos com o veneno rápido de um Lannister. Ele poderia negar a si mesmo, mas tinha mais do sangue de seus antepassados, do que ousaria admitir. - Não, o que a incomodou foi a suspeita de um sentimento, que se provou verdadeira ao fim das contas, não é? - Caminhou lentamente até o corpo amarrado, agarrando sua flecha e a removendo com um puxão. Beijou a seta com o sangue de Edwyn, sentindo o líquido viscoso molhar-lhe os lábios. - Acha que o amarei menos por que morreu? Agora a imagem cristalizada de seu último olhar ficará viva em minha memória, até o último suspiro. - Olhou fixamente para um dos guardas, e sua voz saiu com a autoridade que só um futuro rei de nascença saberia empregar. - O corpo dele não será mais violado. Vai arder nas criptas, e suas cinzas serão lançadas ao mar por mim, do alto do Rochedo. - Olhou para sua mãe, em seguida. - Está é minha condição para a paz, mamãe. Se me ama como diz, conceda-me este desejo. Entregue-me as cinzas de Edwyn e permita que eu sustente sua família, então ficarei aqui e farei o que achar melhor. Casarei com a donzela que desejar, e seguirei seus conselhos. Esta é a única forma de vencermos a distância entre nós. De quitarmos estas dívidas. Não há uma forma de sairmos daqui como uma família, se não cedermos em nossas diferenças. - Ergueu o rosto de Edwyn em suas mãos e beijou os lábios frios, os cabelos de cobre caindo contra seu próprio rosto. Desamarrou então amarra por amarra, até que o corpo mais forte caiu sobre a terra, inerte.

      Tytos percebeu pela primeira vez desde que chegara até o local, que estava cansado. Mortalmente cansado e sem perspectiva, como o Senhor que vê seu castelo quebrar sob um cerco, aguardando até que os inimigos cheguem ao seu salão e o roubem todos os bens e esperanças. Sua mãe também estava ferida, ele podia ver. E saber que ainda era capaz de feri-la, diminuiu um pouco sua própria dor. Suspirando, limpou o suor de sua testa e começou a arrastar Edwyn pelos pés na direção do castelo. Arfando, não esperou até que sua mãe dissesse alguma coisa, pois nada poderia fazê-lo voltar atrás. Se os seus homens tentassem impedi-lo, então faria o necessário para partir, de uma forma ou de outra. Em algum momento, um frasco de sonodoce desapareceria do estoque de Meistre Aeron, bem como o herdeiro Lannister. Ou então seguiria o exemplo da garota Sarsfield, e acabaria com aquele tormento.

             Mas algo lhe dizia bem no fundo, que Tyressa conseguira o que queria. Ele compreendera que não pertencia apenas a si mesmo, e que agora estava nas mãos de sua família decidir o seu destino. Faria como lhe fosse ordenado. Não via acordo melhor que pudesse oferecer. Lembrou mais uma vez do Julgamento de Fogo, e desejou com um delírio que houvessem barris de fogovivo sob o Rochedo também. Arrependeu-se no mesmo instante do sentimento vingativo, questionando até que ponto não era tão cruel quanto a mulher que acusava. Sua mãe, que apenas acreditava estar defendendo-o. Com noções tão específicas de cuidado, Tytos temeu que dentro de si houvesse alguém igualmente capaz de atrocidades. O mesmo rapaz maligno que reprimira tantos anos, buscando afiar sua mente para conter os ímpetos de maldade e caprichos. O mesmo homem que provocara o suicídio de uma jovem de quinze anos, e que dormira tranquilamente após receber a notícia. O peso de Edwyn pareceu diminuir, quando notou um dos guardas erguendo-o consigo. O homem parecia temer sua mãe, mas estava consternado. Seu olhar era rígido, como se soubesse que a atitude poderia custar sua vida. Mas ele parecia também comovido, e Tytos sentia a lealdade que mudava em seu coração.

- Sor, por que está me ajudando? - O grupo de sua mãe ainda podia ouvi-los, mas Tytos não se importou. Precisava parar um pouco, ou seus braços já cansados pelo treino com arco, cairiam das juntas.

- Todos amamos nossa rainha, meu príncipe. Mas somos homens de vosso pai e futuramente seus, se os deuses forem bons. E Vossa Graça, o rei Logan, certamente diria que este é o certo a se fazer. Foi ele quem me fez cavaleiro, e devo meu título e pequenas terras como sor Byron de Lannisporto, à sua bondade. - Tytos sorriu. Mesmo indiretamente, seu pai continuava ajudando. Olhou para sua mãe com um olhar de trégua, pedindo silenciosamente que não se vingasse do manto vermelho. Continuou andando mais um pouco, quando ouviu a voz mais baixa sussurrar. - Ele também era meu irmão por casamento, sabe? Seu último pedido foi por minha esposa e filhos, príncipe Tytos. Fui eu quem conseguiu a função de cavalariço, aqui no castelo.  - O jovem leão estancou na hora, um nó subindo em sua garganta. O guarda de sua mãe fora forçado a assistir enquanto o irmão de sua esposa era executado e não fazia nada. O pior, estava ajudando o assassino e responsável por aquele pesadelo a carregar o corpo de Edwyn. Talvez também estivesse sentindo-se culpado por apresentá-lo ao lugar que acabaria com sua vida. - Foi misericórdia, senhor. Até eu sei reconhecer a diferença. Vossa mãe ainda não havia acabado com o rapaz. Ele teve o melhor fim que poderia.

- Obrigado, Byron. Levarei as cinzas dele pessoalmente para sua esposa.

- Ela se sentirá honrada por sua visita, meu príncipe. - Honrada? Tytos duvidava muito. Mas agora só podia pensar em conhecer a família de seu cavalariço, em saber mais sobre as pessoas cujas vidas ele destruíra. Talvez também devesse procurar pelos Sarsfield e confessar o seu crime, como forma de redenção pessoal. Mas sabia que isto geraria mal estar para sua família, uma vez que Tyressa contara a seu pai que a jovem sofrera apenas um acidente, e ele repetira isto aos seus vassalos. Não podia modificar a história agora. Mas ainda podia cumprir o que prometera, e sustentar os sobrinhos de Edwyn. Era o mínimo, depois do mal que provocara.

- Eu é quem me sentirei honrado por conhecê-la, Byron. E aos seus filhos também. - Sorriu para o cavaleiro, ainda que sua alma estivesse pálida e sem expressão. O homem retribuiu o gesto, parecendo ainda assim preocupado. Era óbvio o motivo. Sua aproximação com seus filhos poderia apenas causar destruição, como tudo o mais que Tytos tocava. Já via as luzes do castelo, quando começaram a contornar a porta principal. As criptas do Rochedo ficavam no interior das rochas, como se fossem uma passagem direta até as profundezas da terra. Tytos não gostava do lugar, desde muito jovem. Sua visão embaçou quando aproximaram-se, e a realidade dos fatos o atingiu. Chorava copiosamente, de modo que Byron parou a marcha, pegando o corpo de Edwyn em seu próprio colo, sozinho.

- Vá descansar, meu senhor. Farei com que Meistre Aeron seja chamado, e montarei vigília a noite inteira pelo rapaz, como deve ser. - Sor Byron encorajou-o, apontando o castelo com o queixo. - Eu prometo pela minha espada, e pelo meu Senhor, ao qual juramentei minha espada.

- Obrigado, Byron. Fico feliz que ele tenha alguém da família com ele, neste momento.

        Sem olhar para trás, fez lentamente o caminho que o levaria de volta ao Rochedo. Ao aproximar-se da entrada principal do castelo, encontrou sua mãe novamente, rodeada por seus guardas e aparentemente à sua espera. Talvez ela tivesse sua resposta, e retornara para a segurança das luzes. Tytos não aguentaria reiniciar uma discussão, então apenas sorriu fracamente e enxugou de qualquer jeito o rosto, cheio de fuligem e sangue àquela altura.

- Seja lá qual for sua resposta, mamãe, eu gostaria de dormir em paz e esquecer que este dia existiu. - Lamentou-se, aproximando-se de Tyressa. - Sei que a seu próprio modo, a senhora deseja o mesmo. Então, ao menos por hora, esqueçamos juntos. - Enlaçou o braço de sua mãe no seu, e sorriu cheio de pesar. - Pela harmonia da família, e pelas coisas horríveis que já dissemos um ao outro. Paz.

         Ela poderia afastá-lo, mas ele duvidava que ela fizesse isto. Juntos, entrariam de braços dados e almas devastadas, como se nada tivesse ocorrido momentos antes. Apenas a aparência suja e abalada de ambos denunciaria o fato, que rapidamente espalharia-se pelo Rochedo assim que Aeron e Byron abrissem a boca, depois de preparar o corpo de Edwyn para os ritos fúnebres da pira. Tytos ao menos conseguira que Edwyn fosse queimado e purificado por R'hllor, como mandava a sua fé. Imaginou o que sua mãe faria quando soubesse que ele considerava converter-se numa Mão Ardente do outro lado do mundo. Mais um item na lista de desgostos pelos quais ele a faria passar na vida. Entre o sono e a exaustão, Tytos mal sorriu ao ver o rosto de seu pai no topo de uma das ameias do castelo, que olhava intrigado para a pequena procissão que adentrava o pátio central. Ele apenas soltou o braço de sua mãe, e com uma reverência se afastou sem olhar para nenhum dos dois. Lutava para manter uma postura altiva, sem dobrar ou envergar a coluna. Não permitiria que o vissem derrotado. Não depois daquele dia. Nunca mais.


Observação:
Treino de Habilidade: História











Hear Me Meow✖️
Mensagem por Urrax em Ter Dez 06, 2016 3:41 pm

Avaliação de Treino

Tytos Lannister
Novamente um ótimo treino, mas você não se atentou ao nível do personagem. Pareceu mais que ele era nível 8 ou 9, quando Tytos é apenas nível 2! Fora isso, não tenho mais nada do que reclamar.


Avaliação

Conteúdo e Coerência (30/40)
Contexto e Criatividade (30/30)
Estrutura e Metodologia (20/20)
Ortografia e Organização (10/10)
Total (90/100)
Acréscimos e Descontos


+18% pelo atributo Inteligência com 7 pontos. (16)
+3% pelo atributo Energia com 5 pontos. (3)
+6% pelo atributo Determinação com 5 pontos. (5)
-5% pela habilidade no nível 2. (5)

Experiência Adquirida


+ 109 pontos na habilidade arco e flecha.



Avaliação de Treino

Tytos Lannister
Um bom treino. Continue evoluindo!


Avaliação

Conteúdo e Coerência (40/40)
Contexto e Criatividade (30/30)
Estrutura e Metodologia (20/20)
Ortografia e Organização (10/10)
Total (100/100)
Acréscimos e Descontos


+18% pelo atributo Inteligência com 7 pontos. (18)
+3% pelo atributo Energia com 5 pontos. (3)
+6% pelo atributo Determinação com 5 pontos. (6)
-5% pela habilidade no nível 2. (5)

Experiência Adquirida


+ 122 pontos na habilidade historia.


Dragão
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Mensagem por Tyressa Lannister em Ter Dez 06, 2016 10:15 pm

Please, tell me I’m your one   and only.
Or lie, and say at least tonight I’ve got a brand new cure for lonely And if you give me what I want Then I’ll give you what you like.


Devastada, era como eu me sentia naquele momento, não havia palavras para mensurar a consternação ao encarar o semblante de meu filho diante daquela situação. Não havia arrependimento em mim, eu sabia que havia feito o que era preciso, o que era necessário, mas não havia como esconder como as palavras de meu primogênito me afetavam. Aprendi a duras penas que ser mãe é sacrificar a si mesma, é não ter vontade própria e saber ser dura quando necessário, ainda que as feridas fossem irreparáveis. E naquela noite eu já sabia, que sangria muito, que provavelmente meu filho não me visse mais com os mesmos olhos, mas todo o sofrimento que eu causava era para protegê-lo e era isso que me consolava. Eu absorvia cada palavra por ele dita e cada uma parecia me ferir como ferro em brasa sobre a minha pele, os Deuses sabiam tamanho do esforço que fazia para não desabar diante de meu menino, manter-me aprumada e firme, não queria novamente expor minha fraqueza como já havia feito, dirigi meu olhar ao Tytos, não com frieza, mas com a dureza das rochas de nossas terras: — Não há um caminho onde todos possam ser felizes meu filho. Infelizmente, não há. Se por ventura, algum maldito homem tirasse a vida de seu pai, eu queimaria Westeros inteira até que seu algoz perecesse, somente então eu me deixaria levar pelo Estranho de bom grado. Pois a minha existência sem Logan, jamais existiria. — Minhas palavras saíram mais melancólicas do que eu pretendia, mas nunca havia sido tão sincera em toda a minha vida. Não era nenhum segredo o quanto eu amava meu Rei e que eu seria capaz de tudo por ele, até mesmo sujar minhas mãos de sangue.

Eu tinha sim respostas para todas aquelas palavras proferidas por Tytos, mais do que isso, eu poderia questionar cada uma delas, todavia, eu não ganharia mais nada com isso, eu não podia fazer mais nada diante da situação. A verdade era que, para Tytos, o bastardo era o grande amor de sua vida e iria ama-lo para sempre. Talvez, muito remotamente ele estivesse certo, mas eu preferia acreditar que tudo aquilo havia sido um devaneio juvenil, assim como a jovem dama de companhia. Ele não conhecia o mundo e suas crueldades, a tirania do destino e seus desígnios, era um jovem ainda, com toda uma vida pela frente, o meu ato era apenas uma ínfima fração da verdadeira e cruel realidade. Novamente veio me bater ao peito aquele vazio, aquele sentimento de dor e perda que durante anos carreguei dentro de mim. Quem me via tão cruel e sádica, não imaginava o quão humana eu era e como eu sangrava e sangraria todos os dias da minha vida. Fechei meus olhos e senti a primeira brisa beijar meu rosto, tão fria quanto meu próprio corpo naquele momento. Precisei de algum tempo para ter coragem suficiente de abrir meus olhos, as mesmo assim eu havia escutado tudo o que meu filho tinha a falar, mas inicialmente mantive-me calada, já não havia mais nada que eu pudesse fazer.

Virei-me dando as costas para minha cria, queria me poupar de ver aquela cena deplorável e que me enojava, eu ainda precisava manter minha dignidade, se Tytos não se importava com a dele, eu já não tinha mais nada a fazer. Não precisei dizer uma só palavra, meu olhar para Cairus fora o suficiente para que ele compreendesse que eu queria partir e deixar toda aquela noite para trás, não havia nada mais que eu pudesse fazer e bem ou mal, eu havia acabado com o mal que pairava sobre meu filho, pelo menos por enquanto. Dei alguns passos adentrando a escuridão, mas antes que eu me distanciasse, parei, por cima de meu ombro direito olhei meu filho e um dos soldados de meu marido que o auxiliava: — Hoje, você chora por ele. Mas um dia você descobrira que existem dores muito maiores do que essa. Se agarrar a tudo que ama parece ser bom, mas quando a vida lhe usurpa o que tanto ama, a lacuna que lhe resta, será tão grande quanto um abismo. E muitas vezes, você terá imensa vontade de mergulhar nesse abismo, sucumbindo apenas a loucura. É uma linha tênue meu filho, muito tênue. — Provavelmente minhas palavras se perderiam no vento, mas eu realmente que alguma delas chegassem ao coração de meu amado menino.

Respirei fundo e busquei coragem para rumar de volta ao meu lar, não havia nada que eu desejasse mais do que um abraço apertado de minhas filhas e a segurança dos braços de meu marido. Talvez, como punição para meus pecados, as lembranças voltavam a me atormentar, deixando-me ainda mais consternada. Eu não era muito diferente de meu filho, tinha minhas fraquezas, meus grilhões que me prendiam a aquilo que eu deveria ser. Eu era a Rainha, jamais poderia demonstrar fraqueza, vulnerabilidade, todavia, inúmeras foram as noites em que apenas os lençóis de minha cama conheciam minhas lágrimas enquanto Logan estava longe. A perda de meu mais novo ainda doía forte em meu peito e uma ferida que eu jamais conseguiria cicatrizar, uma mãe jamais esquece seu filhote. Um par de soldados ia a frente iluminando o caminho, enquanto eu vinha um pouco atrás com passos bêbados e letárgicos, muito diferente da mulher que havia ali chegado: — Permita-me ser seu apoio, Vossa Graça. — Gentil, Sor Greenfield oferecia-me seu braço como apoio para me auxiliar em minha caminhada. Eu poderia prontamente recusar, mas já estava noite e não desejava sofrer um acidente e a bem da verdade, caminhar estava se tornando difícil para mim. Repousei minha mão em seu braço e então, voltamos a caminhar pela estrada escura.

O caminho parecia mais longo, mas quando finalmente chegamos, senti imenso alívio me meu peito, soltei o braço do cavaleiro, voltando a aprumada postura de sempre: — Obrigada, Sor Greenfield. Fora muita gentileza de sua parte me auxiliar pelo caminho. — Ele apenas assentiu com a cabeça, um gesto que eu já era capaz de decifrar vindo do homem. Eu poderia entrar e me trancar em meu quarto, Logan ainda estaria em seus afazeres, mas ainda precisava ver com meus olhos o Tytos havia feito e assim o aguardei, imaginando o que ele havia escolhido. Não tardou para que ele também regressasse, com um semblante abalado e abatido que me cortara o coração mais uma vez naquela noite. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele se aproximou de mim, com aqueles mesmos olhos verdes do menino que eu ninava em meus braços. Eu não tinha argumentos ou armas contra aquele olhar e apenas assenti com a cabeça e sorri fraco. Permiti que meu menino me guiasse, mas foi quando olhar para cima se fez necessário e eu sabia exatamente quem me observava. Logan provavelmente observava tudo e não precisava de uma só palavra, eu sabia que teria muito o que me explicar, a nossa conexão ia muito além do que qualquer um pudesse explicar. Minha cabeça tombou até o ombro de meu menino e ao seu lado caminhei, como a Rainha que eu sempre era, ao lado de seu amado herdeiro.

Post: 004 with: @Tytos Lannister in:Casterly Rock
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